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Histórico

     O Congado, a Marujada, as Guardas de Moçambique, originário de nossas raízes afro-brasileiras, retratam a luta dos negros nos quilombos e senzalas em busca da sobrevivência e contra a escravidão, a Marujada nos faz relembrar o tráfico de escravos feitos pelos navios negreiros.

      Album da festa do Divino realizada em 04 de Junho de 2006.

A lenda do Congado

      A lenda de Chico-Rei nos conta que a origem das festas do Congado está ligada à Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na antiga Vila Rica. Segundo a lenda, o escravo batizado com o nome de Chico-Rei, viera da África com outros membros de sua família. Na sofrida viagem, rumo às Novas Terras, Francisco perdera a mulher e seus filhos, com exceção de um.

     Chico-Rei se instalou em Vila Rica e com o passar do tempo, com as economias obtidas no trabalho aos domingos e dias santos, conseguiu a alforria do filho. Posteriormente, obteve a própria alforria e a dos demais súditos de sua nação que lhe apelidaram de Chico-Rei. Unidos a ele, pelos laços de submissão e solidariedade, adquiriram a riquíssima mina da Escandideira. Casado com a nova rainha, a autoridade e o prestígio do "rei preto" sobre os de sua raça foi crescendo. Organizaram a Irmandade do Rosário e Santa Efigênia, levantando pedra a pedra, com recursos próprios, a Igreja do Alto da Cruz. Por ocasião da festa dos Reis Magos, em janeiro, e na de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, havia grandes solenidades típicas, que foram generalizadas com o nome de "Reisados".

      Nestas festas, Chico-Rei, de coroa e cetro, e sua côrte apareciam lá pelas 10 horas, pouco antes da missa cantada, apresentando-se com a rainha, os príncipes, os dignatários de sua realeza, cobertos de ricos mantos e trajes de gala bordados a ouro, precedidos de batedores e seguidos de músicos e dançarinos, batendo caxambus, pandeiros, marimbás e canzás, entoando ladainhas.

Guarda de Congados Nossa Senhora do Rosário.


     Tendo suas origens na região do Congo, na África, o congado veio para o Brasil no período da escravidão, na época do Brasil colonial, principalmente para servir na plantação de cana, e com o escravo veio a fé e a crença em N. S. do Rosário, protetora dos negros e confortadora destes nas horas de aflição.

     Esta tradição chegou a Raposos e permanece viva até hoje, com seu tradicional uniforme branco , xique-xiques, atabaques e a famosa dança do bastão, esta guarda tem como capitão regente e um dos continuadores uma pessoa que é considerada um arquivo vivo do folclore de Raposos, o Sr. Gentil Lúcio de Jesus.

     Seu primeiro capitão regente foi o Sr. Vicente Ponunciano, e os primeiros Mestres foram Gerlado Felipe Pereira e Antônio Barbosa. O primeiro rei Congo se chamava Raimundo Rufino apelidado de Raimundo 400. A guarda de Congado Nossa Senhora do Rosário foi recriada em 1º. de Maio de 1942 com a organização atual e sua sede esta localizada na rua Santos nº. 156, no bairro Vargem do Sitio.

Guarda de Marujos Santa Efigênia.

     Seguindo as mesmas tradições e tendo como patrono Santa Efigênia, protetora dos negros, seu tradicional uniforme azul e branco, que representam as cores da Marinha Brasileira, a marujada se distingue da congada pelo seu ritmo mais acelerado de seus números musicais.

     A guarda foi reerguida em setembro de 1945 e chamava Guarda de Marujos N. S. da Conceição, mais tarde por imposição do padre Antônio Donato de Lima, alegando que já havia muita coisa com o nome de N. S. da Conceição, a guarda foi reestruturada em 27 de Novembro de 1969 e passou a chamar-se Guarda de Marujos Santa Efigênia e seu capitão regente, nesta época, foi o Sr. Anésio Rosa Santos.

     A festa de Santa Efigênia acontece todos os anos no dia 21 de Setembro, em Raposos

Guardas de Moçambique.

     Raposos conta com duas guardas de Moçambique, A guarda do Divino Espitiro Santo e a Guarda de São Benedito, que são bem antigas.

     As guardas de Moçambique são representadas nas cores rosa e azul, não portam espadas, somente cambonas (xique-xiques) nos pés e bastões. As cambonas representam as correntes com que os negros eram presos pelos pés, ou seja, os grilhões.

Fonte - Memórias do Povo de Raposos - 1996 - João Oliveira Gomes
Fotos - Helmo Vieira- 2003

 


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