A rica jazida de ouro que daria origem
à Mina de Morro Velho, localizada em Raposos (MG), foi descoberta
em 1814. Em 1830 ela foi adquirida pela empresa inglesa St. John
d'El Rei Mining Company Ltd., que inaugurou a mina em 1834.
Logo ela se revelou um empreendimento
muito lucrativo, como se pode deduzir a partir das dimensões
que assumiu ao longo do tempo: ela se tornou a mina mais profunda
do mundo, com 2.500 metros de profundidade e 4.000 metros de extensão,
o que a tornou mundialmente famosa já no início do
século XX. |
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Na cidade de Nova Lima
ficavam os escritórios, outra Mina, e onde o ouro retirado da Mina
de Raposos era processado, ficava a aproximadamente dez quilômetros
do centro de Belo Horizonte em linha reta. Contudo, no início do
século XX, o acesso entre a capital mineira e essa localidade era
feito de trem até a estação de Raposos, via General
Carneiro e Sabará, de lá até Nova Lima eram mais
oito quilômetros, totalizando portanto 42 quilômetros a partir
de Belo Horizonte.
A idéia de se construir
uma linha férrea entre a estação ferroviária
de Raposos e Nova Lima surgiu da necessidade de facilitar o acesso de
máquinas, equipamentos e insumos à área de processamento
e escritórios, cuja expansão era cada vez maior.
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A administração
da Mina de Morro Velho constituiu a The Morro Velho Railway Co no
final da primeira década do século XX com o objetivo
de se concretizar essa ligação, que recebeu o privilégio
de explorar essa concessão por cinqüenta anos, suas
obras se iniciaram a 30 de Março de 1911.
Não há certeza quanto
à data da inauguração dessa ferrovia: Waldemar
Stiel e Allen Morrison citam 25 de março de 1913, enquanto
que Demerval Pimenta informa 3 de Abril de 1914. Como era comum
na época, as condições técnicas da linha
não eram das melhores: bitola de 0,66 m e curvas de até
47 m de raio. Contudo, ela apresentava uma grande inovação
para as ferrovias brasileiras: ela já iniciou sua operação
totalmente eletrificada, fato raríssimo no país. Ela
também foi a segunda ferrovia a usar tração
elétrica no Brasil, sendo precedida somente pela E.F. Corcovado.
Certamente a eletrificação
da E.F. Morro Velho decorreu da abundância de energia elétrica
na região, uma vez que a Mina de Morro Velho dispunha de
uma usina hidrelétrica própria, muito provavelmente
em função do relevo irregular da região associado
a um bom índice de pluviosidade. |
Esses recursos, permitia dispensar o uso da lenha
na ferrovia, que vinha se tornando cada vez mais cara e escassa a partir
do início do século XX, e do carvão importado, que
tinha custo proibitivo. As locomotivas elétricas eram alimentadas
com corrente contínua de 550 volts, geradas através de duas
subestações retificadoras, localizadas nos dois extremos
da linha: na estação ferroviária de Raposos da E.F.
Central do Brasil, no km 570 da sua Linha do Centro, e na Mina de Morro
Velho.
O material rodante foi fornecido pela General
Electric, a Morro Velho adquiriu sete locomotivas, sendo quatro de 4 Toneladas
e três de 3,75 Toneladas, seis carros-reboque abertos e quatorze
vagões.
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O serviço de passageiros
entre as duas localidades era público, embora predominasse
o transporte gratuito dos empregados da mina; uma composição
circulava entre elas de quarenta em quarenta minutos. A estrada
também servia um pequeno povoado no meio do percurso chamado
Galo, onde a Companhia Morro Velho tinha uma fábrica de
arsênico.
A ferrovia tinha uma característica
peculiar: três vezes por mês o serviço era
interrompido, tropas ocupavam toda a linha e composições
especiais circulavam por ela levando lingotes de ouro que eram
baldeados para trens da Central do Brasil rumo ao Rio de Janeiro.
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Durante a década de 1950, Nova Lima
foi ligada diretamente a Belo Horizonte por estradas de rodagem, diminuindo
significativamente a distância entre elas e agilizando o deslocamento
dos passageiros.
Já não era mais necessário
efetuar o longo e tortuoso trajeto ferroviário, que tomava quase
três horas e meia (!) de acordo com um Guia Levi editado em 1970.
A concorrência rodoviária, muito mais ágil, fez com
que o transporte de passageiros pela E.F. Morro Velho fosse definhando
ao longo das décadas de 1950 e 1960.
Esse serviço passou a ficar cada
vez menos atrativo do ponto de vista econômico, até que a
Companhia Morro Velho decidisse desativá-lo no último dia
de 1964, alegando prejuízos e a irregularidade jurídica
da operação da ferrovia, cuja concessão havia vencido
e não havia sido renovada. O anúncio da paralisação
provocou ameaça de greve por parte dos funcionários da empresa,
que acabou não se concretizando uma vez que a Prefeitura de Nova
Lima o assumiu em seguida a partir de 1° de Janeiro de 1965.
Apesar de toda essa resistência em
1970 a ferrovia foi suprimida, sendo seus trilhos arrancados e substituídos
por uma rodovia. Ao contrário do que vinha sendo proposto há
anos a ferrovia não foi preservada, apesar de ter grande importância
histórica e grande potencial turístico. Também não
há notícias sobre a preservação de locomotivas
ou carros que foram usados nessa linha.
Fonte - Site da Internet - www.efbrasil.eng.br
- Outras Referências para pesquisa |
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| ANON. E.F. Morro Velho. Estradas de Ferro do Brasil
- 1945, Suplemento da Revista Ferroviária, 1945, p. 146.
COELHO, E. Explorando os Caminhos do Ouro: a E.F. Morro Velho. Revista
Ferroviária, Setembro 1988, p. 60. FRANCO, J. O Trenzinho
de Ouro. O Cruzeiro, 11 de Outubro de 1958, p. 70-74.
MORRISON, A. The Tramways of Brazil - A 130-Year Survey, Bonde Press,
New York, 1989, p. 79.
PIMENTA, D.J. Estradas de Ferro Eletrificadas do Brasil, Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística/Rede Mineira de Viação,
Janeiro de 1957. 80 p.
STIEL, W.C. História do Transporte Urbano no Brasil. Editora
Pini Ltda, Brasília, 1984, pág. 278-280. |
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